Olá galerinha tudo bem com vocês? Hoje trago um bom drama adolescente que fala de luto e relações familiares problemáticas, por vários motivos um prato cheio para mim. Estão preparados?!

Rumi Seto passa a maior parte do tempo preocupada por não ter as respostas para tudo. O que comer, onde ir, quem amar. Mas de uma coisa ela tem a mais absoluta certeza - quer passar o resto da vida escrevendo músicas com sua irmã mais nova Lea.

Até que Lea morre em um acidente de carro, e a mãe envia Rumi para viver com a tia no Havaí enquanto ela lida com o luto. Agora milhas longe de casa, Rumi sofre para lidar com a ausência de sua amada irmã, o abandono da mãe e a falta de música em sua vida. Com a ajuda do "vizinho gato" - um surfista chamado Kai, que sorri demais e não leva nada a sério, e um senhorzinho de oitenta anos chamado George Watanabe, que também está de luto há anos - Rumi tenta achar o caminho de volta para a música, para finalizar a letra que ela e Lea não tiveram a chance de continuar no fatídico dia.

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Já começo dizendo que não esperava tanta intensidade nesse livro e me surpreendi com o que encontrei. 

O tema central é o luto pela irmã e o amor delas, coisa mais linda do mundo, porém muitas vezes me peguei engatilhado pensando nas mesmas coisas que Rumi e foi uma leitura um pouco dolorosa embora fácil de digerir e fluída.
A menina se culpa de muita coisa, está lidando com os monstros internos da adolescência, nem sabe ainda do que gosta nem sequer o que fazer sem Lea por perto, e essa é uma história de auto descobrimento (sem desmerecer a superação). O processo de luto dela foi lento, transformado em raiva tendo uma melhora já quase no final da história quando ela começa a se permitir, só então o peso sai dela e isso é um pouco agoniante de acompanhar.

O processo criativo dentro da história é bem interessante: elas pegavam 3 palavras aleatórias que estivessem pensando no momento e escreviam uma música baseadas nisso, esse é o motivo-título do livro e "o segundo plot" por assim dizer pois ficamos torcendo para que ela consiga escrever essa bendita música enquanto se recupera do trauma de ter perdido a irmã tão nova.
Ainda sobre processos criativos tem o método sanduíche: um elogio, seguido de uma opinião, fechando com outro elogio, tornando o livro bem poético ao explorar tão bem a gramática como ela fez, e o mais importante - sem pedantismo.

via GIPHY

Das coisas que aliviam a trama são as amizades que Rumi faz no Havaí, principalmente com o Sr. Watanabe onde ela passa a maior parte do tempo no início da trama ouvindo música, ajudando no jardim, e se lamentando. Kai o vizinho gato se dá muito bem com ela, sendo de grande importância na recuperação junto com o senhorzinho ranzinza. Também é curioso o cuidado em que a autora teve ao replicar as falas dos nativos de forma diferente, no "dialeto" deles mas de forma compreensível dando mais veracidade além de realçar o contraste quando Rumi está falando

É um livro lindo que trata o luto de uma forma muito sensível e bem real, sem maquiagem nem fantasias, mostrando a luta da superação isso junto com os problemas típicos da adolescência, então para quem não dispensa um bom drama fica a recomendação. Felizmente o romance não é foco por aqui então se espera algo entre Kai e Rumi já é bom retirar as expectativas, ou o shipp como falam por aí.


Quotes:

And I don’t know if love can ever be more real than that.

Eu não sei se o amor pode ser mais real do que isso.

Some things are better left as secrets in the dark.

Tem coisas que é melhor manter em segredo.

I wonder if it’s possible to keep a ghost with you forever.

Me pergunto se é possível manter um fantasma com você para sempre.

Sometimes families are complicated. It doesn’t mean they don’t care.

Algumas famílias são complicadas. Isso não significa que eles não se importam.

Some people like being alone, but nobody likes being lonely, even if they pretend they do.

Algumas pessoas gostam de ficar sozinhas, mas ninguém gosta de ser solitário, mesmo quando eles fingem gostar.


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